CORDEIRO de ITIÚBA
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O UIVO DO LOBO

O uivo do lobo, corta meu coração. Corta não, espreme, porque o meu coração, já está cortado. Desde o último dia primeiro de março, quando me disseram que DEUS tinha levado o meu pai, parte do meu coração. Estou falando lobo, mas na verdade, é um cachorro. E nem se chama lobo, quer dizer, acho que não. Coloquei esse nome nele, porque ele uivava triste, feito um lobo, quando o seu dono saía pra trabalhar. E aquilo, antes daquele primeiro de março, arranhava meu coração, que sofre à toa e me deixava triste. Da varanda da minha casa, ouvindo seu lamento em forma de uivo, ou uivo em forma de lamento, eu, CORDEIRO, ignorava a fábula de Jean de La Fontaine e tentava ser solidário com o LOBO, procurando em vão confortá-lo, dizendo: daqui a pouco seu dono chega. O dono chegava, ele silenciava e eu ficava tranquilo, dormia tranquilo. Agora, depois deste primeiro de março, mesmo sem o uivo do lobo, com tudo em silêncio, eu não consigo dormir, pensando na falta do meu pai e quando pela manhã, o lobo se põe a uivar, eu choro. E choro como se estivesse uivando. Porque sei que o uivo do lobo, é só até a noite, quando seu dono voltar. E meu uivo será eterno, pois o meu pai não voltará.

Santo André, 07/03/2021

O UIVO DO LOBO
 
CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 07/03/2021
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