CORDEIRO de ITIÚBA
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OLHO D’ÁGUA DO CABURÉ


A seca, a curiosidade... o acaso. Fez eu me mudar para longe da minha ITIÚBA, do meu Urubu. E na lonjura que estou, recebi a notícia que do OLHO D'ÁGUA DO CABURÉ, não brotava mais água. Aí, dos meus olhos, foi que brotou água. A mágoa foi tanta que jurei nunca mais botar meus pés lá. Nem os pés, nem os olhos. Mas olho para mim e vejo que não sou homem de cumprir juramento, principalmente quando o assunto é a minha ITIÚBA.

O OLHO D’ÁGUA DO CABURÉ, é a fonte que matou a sede de tanta gente e de tantos animais. Era onde minha avó, minhas tias avós e tantas mulheres contemporâneas minha, lavavam (literalmente) a roupa suja dos filhos e dos maridos. Encravada no pé da SERRA BONITA, essa fonte, essa nascente, era onde meus amigos José de Souza Irmão (Poca), Alfredo Dias (Pororó), Aristides Nascimento (Cafuí) e tantos outros, enchiam suas cabaças para matar a sede, ao longo do árduo e suado dia de serviço, nas roças de Manuel Dias de Souza, Hermínio Félix, Antônio Martins...
A COVID-19, me afastou do meu  serviço por sete meses. E me afastou também da cidade grande. Durante esse afastamento, pude visitar a minha ITIÚBA, com mais tempo, rever amigos que não via desde que me mudei para esta lonjura e fiz tantas outras coisas, que achava que nunca mais teria direito a fazer. Num dos tantos passeios pela fazenda Urubu, encontrei o hoje amigo, Nildo Félix, proprietário da fazenda, onde fica o OLHO D’ÁGUA DO CABURÉ. Fomos apresentados e ele se mostrou tão educado, tão cordial e cortês, que não tive acanhamento, para expor a minha decepção com o que tinha “acontecido” com o célebre OLHO D’ÁGUA DO CABURÉ. Sem se alterar, ele desmentiu o que tinham me dito e disse também, que desde que assumiu a direção da propriedade, vinha trabalhando no cuidado e na preservação daquele patrimônio. Além de me convidar, para ir até a nascente da fonte. Para isso, mandou buscar e arrear um animal, para meu transporte, receando que eu não aguentasse o trajeto. Convite aceito, lá vou eu para me inteirar da situação que tinha ficado aquela fonte tão rica, tão prestativa. E para minha surpresa lá estava do mesmo jeito, com a mesma quantidade de água, as mesmas árvores em volta... tudo do mesmo jeito que um dia deixei.
Aí, só me restou agradecer a DEUS, por ter me concedido a graça de ainda poder botar os pés e os olhos naquela maravilha. Para o amigo Nildo Félix, não tinha, nem tenho como pagar. Nem a cerveja, ele deixou pagar. Então só agradeço!
 
Santo André, 12/01/2021
 
CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 13/01/2021
Alterado em 13/01/2021
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